O ostraceiro, na sua variante europeia, é uma ave migratória de plumagem preta e branca, com bico cor-de-laranja e algo achatado, que lhe permite abrir os bivalves com que se alimenta preferencialmente.
Presente na costa algarvia sobretudo durante o Inverno, esta espécie pode ser encontrada nas zonas mais arenosas, como as praias ou as pequenas ilhas de um sapal. Curiosamente, apesar da sua agilidade no ar, em terra o ostraceiro parece optar por se deslocar em apenas uma das suas duas patas.
São informações como estas, sobre as aves que temporariamente ou permanentemente habitam na Ria Formosa, que os observadores de aves ou os mais curiosos podem obter através de um passeio de barco pela Ria Formosa com a companhia de um guia especializado em observação de aves.
Numa iniciativa inserida no âmbito do «Birdwatching Algarve», programa de promoção à observação de aves organizado pela Entidade Regional de Turismo do Algarve, o Região Sul participou na passada quarta-feira numa amostra daquilo que é actualmente a observação de aves na Ria Formosa.
Pouco passava das 15h00 quando o “Farruska”, conduzido por Ricardo Barradas, sócio-gerente da Natura Algarve, empresa de Ecoturismo formada com o apoio do Centro Regional para a Inovação do Algarve (CRIA) da Universidade do Algarve zarpou da marina de Olhão rumo às ilhas barreira da Ria Formosa.
Ao longo do passeio, debaixo do incomum sol de uma tarde de Novembro, o grupo de jornalistas presentes foi instruído pela guia da natureza Sónia Manso sobre as diversas características dos animais avistados, enquanto se faziam soar os cliques das muitas câmaras fotográficas.
Operando durante todo o ano, a Natura Algarve apenas organiza os passeios de “birdwatching” à quinta-feira, altura em que o dia é completamente dedicado à observação de aves, numa experiência que inclui uma paragem para almoço na Ilha da Culatra, tudo isto por apenas 60 euros por pessoa e 30 euros para crianças.
A repousar e a alimentar-se no sapal ou nas zonas de salinas, onde o alimento é constante, num destes passeios será possível observar, entre outras espécies, galeirões, corvos-marinhos, ostraceiros, rolas-do-mar, maçaricos-reais e gaivotas de patas amarelas, estas presentes em grande número sobretudo junto ao porto de pesca da Culatra.
Durante o pico dos períodos de observação, nos meses de Setembro, Outubro e toda a Primavera, este serviço da Natura Algarve tem “bastante procura”, de acordo com Ricardo Barradas, revelando ainda aos jornalistas que “a procura tem aumentado”. “Nós somos uma empresa muito jovem, temos dois anos, mas temos sentido que cada vez mais há pessoas à procura deste tipo de actividade”, afirmou o responsável.
Ao longo do ano, o “birdwatching” traz ao Algarve um número considerável de entusiastas. No caso da Natura Algarve, de acordo com os seus responsáveis, os portugueses preferem o Verão, “não para o “birdwatching” mas para os programas mais lúdicos”, enquanto “durante o resto do ano temos uma diversidade enorme de clientes, franceses, holandeses, alemães, japoneses, americanos”.
Em considerável crescimento na região algarvia, os investidores nesta actividade encontram ainda alguns entraves, materializados sobretudo na oferta ilegal apresentada a custos mais baixos.
“O volume de oferta paralela é preocupante, no sentido de que não há seguros e não há recibos. É concorrência desleal, não há taxas e parques para pagar, e em termos comparativos com uma empresa, obviamente que me sinto lesado com o individuo do lado que faz a mesma oferta por menos 20 euros, que são os custos que estão relacionados com a actividade”, refere Ricardo Barradas.
Apelando à fiscalização, o responsável da Natura Algarve considera que “se queremos projectar um produto para daqui a cinco, dez anos estarmos a competir com Espanha, em termos qualitativos, temos que pensar nisso seriamente, e temos que atacar esse problema, e pensar nas estratégias mais adequadas para melhorar a qualidade do serviço”.
O passeio, esse, terminou duas horas depois de se ter iniciado na marina de Olhão, ao som de «Perfect Day», de Lou Reed. Coincidência ou não, e depois do mau tempo durante a manhã, o dia terminou com um belíssimo pôr-do-sol e com uma pequena amostra do que é o “birdwatching”.

























