Depois de uma primeira noite que parece ter surpreendido muita gente, quer pela qualidade dos concertos, quer pela grande afluência de público, que segundo a organização atingiu cerca de 32 mil pessoas, a segunda noite do festival Rock One, realizado em pleno Autódromo Internacional do Algarve manteve a qualidade musical, ainda que com muito menos festivaleiros presentes.
Com um cartaz composto por Mia Rose, Dub Inc., Pontos Negros e Blocparty, a coesão ou a linearidade de géneros musicais de cada dia não parece ter sido a principal preocupação da organização, que preferiu optar pela variedade, numa noite que passou da pop mais ligeira de Mia Rose ao dub e reggae dos Dub Inc, terminando com sonoridades dominadas pelos riffs das guitarras de Pontos Negros e dos britânicos Bloc Party.
A abrir a noite, o palco do Rock One foi ocupado por Mia Rose, jovem cantora nacional, criadora de música pop de fácil audição, apelativo à grande maioria das faixas etárias. À sua frente, Mia Rose teve cerca de mil pessoas, numa mescla transgeracional, por entre famílias e jovens adolescentes, que apreciaram as melodias alegres da artista. No final do concerto, e ainda que a afinação da voz de Rose tenha decaído perto do final, vicissitudes de um concerto ao vivo, o concerto foi apreciado por todos.
Perto das dez da noite, as sonoridades alteraram-se, deslocando-se para a área do reggae e do dub, fruto da subida ao palco dos Dub Inc., colectivo francês que aposta na festividade da sua música, animando o público presente e fazendo incursões mesmo pelo hip-hop, utilizando o francês e por vezes elementos arabescos em diversos temas.
Depois das festividades com reminiscências jamaicanas e árabes, o público presente no Rock One recebeu com progressiva aceitação uma das bandas revelação do último ano da música portuguesa, os Pontos Negros.
Se no princípio grande parte dos espectadores se mostrou claramente na expectativa, prevendo que pouco mais seriam do que o aquecimento para os cabeças de cartaz Bloc Party, rapidamente foram conquistados pela performance enérgica e determinada dos quatro rapazes de Queluz, que por uma hora dominaram as atenções de todos os presentes.
Apresentando uma setlist composta maioritariamente por temas do seu trabalho de estreia "Magnífico Material Inútil", os Pontos Negros mostraram-se bem mais eléctricos do que no registo de estúdio.
Jónatas Pires, Filipe Sousa, David Pires e Silas Ferreira mostraram-se perfeitamente à vontade em cima do palco, conseguindo pôr ao rubro a pequena multidão que ontem se deslocou ao Autódromo do Algarve com temas como Salomé, Magnífico Material Inútil, Conto de fadas de Sintra a Lisboa, Doutor Preciso de Ajuda, não se furtando a tocar mesmo uma versão bastante competente de Supersticioso, clássico dos Heróis do Mar.
A encerrar a segunda noite do Rock One, cerca de 5 mil espectadores puderam ver de perto a banda liderada por Kele Okereke apresentar aos algarvios o seu mais recente trabalho, intitulado "Intimacy".
Ainda que dominada por temas de "Intimacy" a actuação dos Bloc Party não esqueceu os clássicos de Silent Alarm e A Weekend in the City, não desiludindo aqueles que esperavam ouvir Banquet, Helicopter, This Modern Love ou Hunting for Witches, cumprindo os requisitos que se esperavam de uma banda que continua em franca ascenção e evolução. Como "prenda" para o público algarvio, a banda tocou ainda One More Chance, exclusivo editado apenas em "Intimacy Remixed", álbum de misturas lançado recentemente.
Terminado o espectáculo imparável dos Bloc Party e a segunda noite do festival Rock One, os concertos regressam hoje ao Autódromo Internacional do Algarve, com Ana Free, Björn Again, James e The Waterboys, sendo que amanhã, sábado e último dia do festival, o cartaz é composto por The Doups, Tara Perdida, My Bloody Valentine e The Offspring.
Segundo fonte da organização, para além das cerca de 32 mil entradas no primeiro dia, a noite de ontem contou com um número de visitantes perto das 15 mil pessoas.
Texto: Bruno Nunes
Fotografias: João Vargues


























