Na semana passada fui dar uma volta até Ayamonte e mais uma vez deparei com novidades positivas.
Nas escassas duas horas que ali permaneci ao fim da manhã de uma terça-feira verifiquei que o parque de estacionamento automóvel que bordeia a marina de recreio, onde se amontoavam os carros de maneira pouco ordenada, deixou de ser feudo dos “Aparcadores” e passou a parque de estacionamento com os lugares bem demarcados, bem ordenado e pago com uma taxa de valor moderado.
Recordo-me das sempre oportunas indicações que estes “profissionais” me davam para concluir a difícil tarefa de encontrar um lugar onde conseguir estacionar sem ter de ir deixar a viatura no extremo da cidade.
Era com gosto que lhes entregava a esperada moeda que compensava o bom serviço prestado mas, para meu espanto, agora há imensos lugares livres para estacionamento e mesmo em frente da Plaza de la Constitucion.
Será que os automóveis foram atrás dos arrumadores?
Confesso que gostei da mudança mas fiquei a pensar no que fizeram aos arrumadores.
Será que com as receitas líquidas do novo sistema de parqueamento estes foram reconvertidos noutra profissão compatível com a sua formação? Se o não foram perdeu-se a oportunidade. Na consulta às “ Ordenanças Municipales” nada encontrei sobre o tema.
Mas as novidades não ficaram por aí. Enquanto tomava o meu café do fim da manhã, vejo passar uma EDUCADORA URBANA, pelo menos era por esta designação que as costas do blusão identificavam a sua função.
Não tive oportunidade de a interpelar pois rapidamente se afastou, impecavelmente fardada ao ponto de se confundir com uma polícia municipal.
Reparei que transportava um bloco de “guias” com caneta incorporada. Não resisti à curiosidade de perguntar ao empregado da cafetaria o que fazia e fiquei a saber que tinha a missão de formar os cidadãos cuja cultura urbana é deficiente, “los mal comportados”, sendo a sua acção fiscalizadora essencialmente formativa.
Fiquei a saber que o “Ayuntamiento” de Ayamonte criou um quadro com 23 trabalhadores que desempenham uma função identificada como Educador Urbano, com atribuições de notificação, vigilância de zonas ajardinadas, controle da limpeza urbana, colaboração na entrada e saída das crianças das escolas, acompanhamento na via pública de pessoas doentes, supervisão da conformidade de licenças de obra, detecção da acumulação de resíduos em locais não dedicados e licenciados para o efeito.
Os Educadores Urbanos são incumbidos de proporcionar informação aos cidadãos e detectar anomalias no mobiliário urbano. Fazem a vigilância de serviços diversos tais como mercados e feiras. Os Educadores Urbanos que prestam serviço nos diversos bairros estão em comunicação permanente com os “Servícios Municipales”.
Questionei se alguns destes profissionais eram antigos arrumadores, mas não me souberam informar.
Há mais de 30 anos que me desloco com regularidade, a esta cidade da Andaluzia e tenho acompanhado de perto o progresso ali registado.
Ayamonte é um exemplo de cidade limpa, de edifícios e jardins cuidados e que, apesar do impacto que a ponte sobre o Guadiana teve no comércio local, soube aproveitar essa mais valia.
Com uma população de quase 20.000 habitantes, Ayamonte já tinha em 2008 a residir no Município 2727 estrangeiros dos quais 41 % são portugueses.
Mas voltando ao tema, lembrei-me de imediato a falta que fazem em Faro uns quantos “Educadores Urbanos” para disciplinar o uso desregrado dos receptáculos de recolha do lixo urbano que de amontoa na envolvente e também, por exemplo, ensinar os nossos concidadãos que passeiam os seus animais pela trela a apanhar as “prendas” que estes deixam pelo caminho.
Claro que, quando essa trela vai na mão dum idoso que não se pode dobrar e muito menos agachar para apanhar o “pastel” que o cão deixou, então aí teremos um problema que a dignidade da função de Educador Urbano não pode resolver.
(continua)
* Engenheiro

























