O Ecoturismo é um conceito em crescimento no nosso país. É uma forma de fazer turismo ligado a ambientes naturais. O tema vai mesmo ser o cabeça de cartaz da 3ª edição da Feira Nacional de Parques Naturais que acontece em Olhão de 24 a 27 de Julho.
Na feira vão estar reunidas mais de 40 empresas de Portugal e Espanha ligadas ao Ecoturismo, com o intuito de trocar ideias, experiências e contactos. O Região Sul visitou uma das empresas que vai marcar presença na ocasião, a Natura – Algarve.
Uma das propostas é conhecer as ilhas-barreira a bordo de um «Pontoon», um barco de lago, de fabrico americano, com 8,36 metros. A ideia é de Ricardo Barradas, 29 anos. Pensou uma empresa de Ecoturismo que labora na Ria Formosa desde há dois meses.
A partir do Cais das Portas do Mar em Faro, o catamarã sai em direcção à Barreta, mais conhecida por ilha Deserta, onde os turistas desembarcam para um passeio a pé acompanhados da guia, Sónia Manso, 25 anos, que explica a formação e dinâmicas do lugar.
Do isolamento da Deserta onde há tempo para mergulhos e um pouco de praia, o passeio segue com vista panorâmica sobre os núcleos habitacionais do Farol, Hangares e Culatra, com destino a uma das línguas de areia branca da Ria Formosa, já perto da barra da ilha da Armona.
Depois de um almoço na praia, o roteiro segue até às ondas revoltas da barra e aponta de novo para a ilha, para desembarque noutra pequena praia. No entanto o roteiro “é flexível”. “Quando os grupos são pequenos podemos variar nos tempos de estada em cada local”, salienta Ricardo Barradas.
O conceito é eco, ecológico, pelo que todo o passeio é feito com calma, em vigília sobre a avifauna existente, e trocando aqui e ali uma vaia com o navegantes das «comunidades» de veleiros fundeados nos canais “do tesouro”, como diz Ricardo Barradas, a falar da Ria Formosa.
O motor de 80 cv a quatro tempos possibilita uma navegação mais silenciosa que o costume. O suficiente para haver música de fundo. Ornamentado com alcatifa, sofás e mesas, o conforto do «Farruskka» - assim é nomeado o barco - depressa se desmonta com um objectivo:
“Quando pensámos nesta ideia, tivemos sempre em conta alguma preocupação com as populações especiais. Houve cuidado pela diferenciação em relação ao que já existe. Podemos transportar duas pessoas em cadeira de rodas”, refere Ricardo Barradas.
O responsável tem estado em conversações com instituições ligadas a pessoas com deficiências, quer motoras quer invisuais, no sentido de celebrar acordos para programas específicos de Ecoturismo.
Três programas diferentes
Ao todo são três os programas no activo. Além do passeio dedicado às ilhas-barreira, a Natura-Algarve propõe “um dia de aprendizagem, diversão e bem-estar”. Denomina-se «A história da pesca».
A proposta é conhecer in loco as espécies da ria, quais as mais capturadas pelos pescadores, conhecer as técnicas da pesca do polvo, a história da captura do atum, com visita guiada ao porto de Pesca de Olhão, e almoço com peixe grelhado na Culatra.
Por outro lado há um programa apenas dedicado à observação de aves.“Aqui há condições únicas, diz o próprio ICNB, para a observação de 11 espécies de aves”, explica Sónia Manso. Este programa termina sempre com a observação do pôr do sol, que “é lindíssimo ver a partir daqui, da Ria Formosa”, garante a guia.
O barco está equipado com documentação relativa à avifauna existente, bem como com equipamento específico para a observação de aves: binóculos, telescópios, máquina fotográfica digital e guia certificado pelo ICNB – Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.
Na calha está outro programa mas ainda em vias de desenvolvimento. São visitas com escolas. A ideia já foi apresentada à autarquia de Faro. Ricardo Barradas diz que o projecto tem sido bem recebido, mas existem algumas barreiras a ultrapassar.
O barco tem lotação de 12 pessoas mais dois tripulantes. A Natura-Algarve, a laborar desde Maio último, diz ter tido uma “surpresa com o mercado”, devido “à procura dos nossos serviços por parte de empresas”.
Programas de 5,30 horas
Cada programa dura cerca de 5,30 horas. Inclui sempre almoço. Se para a proposta «A história da pesca» o almoço é peixe grelhado num restaurante da Culatra, para o «Passeio às ilhas-barreira» o almoço é na praia, sob sombrinhas, com alimentos e bebidas frescas.
O menu são saladas, ou de atum ou de frango, ambas com arroz, milho, alface, tomate, ovo, cogumelos, couve de Bruxelas, azeite e vinagre, e flor sal da Ria Formosa. Sumos, água ou cerveja repõem os líquidos.
O conceito não é o dos barcos da carreira. Os interessados em fazer Ecoturismo na Ria Formosa devem contactar a Natura-Algarve para marcações. Qualquer dos programas têm o mesmo custo: 60 euros por pessoa.
Ainda mais eco
O responsável pela Natura-Algarve tem em vista para breve a instalação de um motor eléctrico no «Farruskka». Um máquina americana com um braço submerso rotativo, que dispensa volante para a condução do barco.
Além de absolutamente silencioso, com funcionamento a baterias, o motor é manipulado por um comando pouco maior que um porta-chaves. Não será uma alternativa ao motor convencional para passeios entre ilhas, mas sim para canais estreitos e actividades como observação de aves.
Na feira com actividades
A 3ª edição da feira de parques naturais vai contar com diversas actividades. O «Farruskka» vai estar em exposição no domingo, mas na sexta-feira e no sábado vai fazer ligações entre o Jardim Pescador Olhanense onde se realiza a feira, e a Quinta de Marim, onde acontecem outras actividades ligadas ao Ecoturismo.
























