O deputado do PCP José Soeiro não obteve resposta do Governo quanto à questão da legalidade do encerramento da UNICER em Loulé por alegadamente a empresa ter recebido fundos comunitários superiores a um milhão de contos para um projecto de desenvolvimento.
José Soeiro questionou o Governo em Outubro de 2007. Em ofício emitido em Fevereiro deste ano - cinco meses depois - o Ministério do Trabalho e da Segurança Social, “esquece uma questão central como se não tivesse qualquer significado”, comenta José Soeiro em declarações ao Região Sul.
No requerimento o deputado fez uma série de perguntas, algumas das quais obteve respostas, mas salienta que “se passa por cima de uma questão central”. No ofício é referido apenas que o processo de despedimento colectivo dos 57 trabalhadores “decorreu de acordo com os procedimentos previstos no Código de Trabalho”.
Recorde-se, a UNICER encerrou as portas da fabrica de Loulé em Outubro de 2007 alegando a necessidade de “ganhar melhorias de produtividade que suportem o reforço da sua competitividade e assegurem um crescimento sustentável”.
Estes fundamentos foram postos em causa por vários partidos, PCP, Verdes e PSD, por se tratar de uma empresa “financeiramente saudável”. O encerramento foi mesmo considerado como “um acto de capitalismo cego” pelo vice-presidente do PSD, Mendes Bota.
O partido ecologista Os Verdes também escreveu ao Governo a questionar sobre a “significativa” comparticipação financeira comunitária que a empresa recebeu, considerando haver “indicadores de ilegalidade” no encerramento.
Para minorar os danos a UNICER disse na altura querer enquadrar cerca de 20 dos trabalhadores noutras fábricas que detém no país, mas segundo apurou o Região Sul, apenas dois trabalhadores aceitaram a migração.
E de acordo com o ofício agora emitido pelo Governo, há 52 trabalhadores no desemprego, e mais dois que, cinco meses depois, ainda aguardam decisão do Instituto de Segurança Social.


























