“A Sé Catedral de Silves foi construída sobre a mesquita, a mando de Afonso X. É o melhor exemplo do gótico no Algarve” (http://radix.cultalg.pt). É assim que começa a descrição acerca do referido monumento, no sítio cuja autoria é do ministério da cultura. Ministério esse, que se tem recusado ou ignorado, a preocupar-se com o actual estado de degradação a que a Sé de Silves chegou, nomeadamente numa altura (e bem) em que se preconizam políticas no que concerne á requalificação e qualificação do património e onde assistimos a uma defesa intransigente dos edifícios com relevância arquitectónica por parte dos organismos públicos, custo a entender, como é que se deixa chegar um Monumento Nacional a este estado!? Sabendo de antemão, que o mesmo está inserido no chamado centro histórico da cidade de Silves, onde anualmente passam milhares de turistas, parece-me um contra-senso, existir um ministro que lance um programa de animação turística na região, denominado de ALLGARVE – no sentido de ampliar as receitas do turismo, procurando captar um target turístico com melhor poder de compra –, e depois exista no mesmo governo um outro ministério, que ignora a degradação progressiva de um monumento, que está situado nesse mesmo ALLGARVE…
Penso que estamos perante uma situação, que revela uma total falta de sensibilidade por parte dos organismos públicos que tutelam os monumentos. Não se trata de uma questão política, nem de esquerda e direita, trata-se sim da preservação do património cultural, ao qual está ligado não só a igreja católica apostólica romana, mas também o nosso passado, a nossa identidade, costumes e matriz cultural. Enquanto Português, algarvio e silvense que sou, sinto que parte da minha identidade está a ruir, e que o estado (que supostamente devia zelar pelo bem comum de todos nós), nada está a fazer para o evitar.
* Membro da CP da JSD de Silves e da JSD Algarve

























