O Algarve é uma região com condições para desenvolver actividades económicas, especialmente na área do Turismo, como poucas nesta Europa. O que estragamos nas últimas décadas estragado está, mas existem ainda “paraísos naturais” e outros que, não o sendo já, propiciam ainda o aproveitamento para fins turísticos.
Será que a crise mundial explica todos os problemas sentidos nos últimos anos? Será que a região, enquanto tal, está una e empenhada para consertar esforços no sentido de promover efectivamente o todo, ainda que segmentando depois, conforme as vocações dos vários concelhos algarvios ou áreas mais específicas?
A OMS estima que nos próximos 20 anos os custos com a saúde de idosos aumentem em 300%. O turismo sénior, de saúde e até a captação para a região da população aposentada, designadamente estrangeira, devia estar na ordem do dia.
Acresce que em Portugal já ultrapassamos os 5% de pessoas a viver sozinhas. Se pensarmos que em 2050 um terço da população terá acima de 65 anos – estamos a falar de quase 2,95 milhões de pessoas (projecção INE), para os 1,82 milhões registados em 2006 – percebe-se a importância que este sector pode vir a ter só no mercado doméstico. Na Europa, e nos mercados que tradicionalmente procuram a região, estes números são muito mais expressivos.
Enfim, são valores muito interessantes e que alguns grupos económicos nacionais já conhecem e já começaram a captar. O Algarve não pode perder uma fatia deste mercado. Acresce a isto tudo condições climatéricas únicas, ideais para os estrangeiros (e nacionais) com poder de compra, que fartos do frio e até do custo de vida, podem eleger o Algarve para a sua “reforma dourada”.
A Saúde (em termos genéricos) é, por tudo isto, um mercado que pode ser interessante, designadamente o desenvolvimento do segmento ligado, por exemplo, às residências assistidas para a terceira idade, para clientes de segmentos mais diferenciados, quer nacionais, quer estrangeiros. Em termos de equipamentos de saúde, a região dispõe actualmente de cinco hospitais privados e um sexto em fase de estudo, para além da oferta pública, muito mais valorizada quando o Hospital Central do Algarve entrar em funcionamento, pelo que estão reunidas condições únicas para avançar, já que é importante garantir disponibilidade, acesso e qualidade na assistência em saúde, para continuarmos a ser atractivos para os estrangeiros residentes, especialmente os mais idosos, sustentando o desenvolvimento da região. Pode até ser uma saída para algumas empresas, se apostarem na reconversão de algumas unidades hoteleiras, ou outras infra-estruturas semelhantes, rentabilizando-as desta forma.
Não precisamos de mais Algarve, mas melhor Algarve. Aproveitar o que existe, ir ao encontro das necessidades actuais e futuras, explorar nichos e – sobretudo – vender uma imagem de qualidade e bom gosto, que é uma forma de garantir que a nossa “monocultura” continue a dar-nos rendimento… com isto necessitamos de recursos humanos mais qualificados, canalizar recursos para formação profissional especifica, mas acima de tudo dispor de empresários, gestores, autarcas e governo empenhados em estudar opções como esta (e tantas outras), viabilizando depois projectos de forma mais célere, dando um impulso muito necessário à região e ao País… sem esquecer obviamente as questões de segurança pública, que nos últimos anos tem vindo a afectar a região e sobretudo o nosso posicionamento como uma região segura.
* Coordenador/ téc. superior


























