O PAI – Partido Africano da Independência que foi fundado em 19 de Setembro de 1956 por Amílcar Cabral (1924-1973), na companhia de Aristides Pereira, Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisée Turpin, viria a transformar-se em Outubro de 1960 em PAIGC – Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde.
Amílcar Cabral, geral e justamente considerado figura carismática e obreiro maior do nacionalismo e da luta anticolonial na Guiné e Cabo Verde, justifica plenamente que esbocemos a sua biografia.
Tendo nascido em Bafatá (12.Set.1924) Amílcar Cabral muda-se em 1932 com a família para a Ilha de Santiago (Cabo Verde).
Naquele arquipélago o futuro dirigente nacionalista fez os estudos liceais, que terminou em 1943 com a média de 17 valores, e começou a despontar como poeta e a assumir-se como activo dirigente associativo nos movimentos juvenis que tomavam consciência da situação colonial do povo de Cabo Verde.
No ano lectivo de 1945-46, com uma bolsa de estudo, iniciou o Curso de Agronomia no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa e instalou-se na Casa dos Estudantes do Império onde conviveu com muitos dos futuros dirigentes dos movimentos independentistas das colónias africanas de Portugal (nomeadamente com os angolanos Mário de Andrade e Agostinho Neto, os moçambicanos Eduardo Mondlane e Marcelino dos Santos e o são-tomense Francisco Tenreiro), convívio de que resultaria um forte movimento de “reafricanização”.
Independentemente da sua actividade política clandestina, que passa por contactos com o PCP e pela militância activa no MUD Juvenil e que se desenvolve em Portugal e na Guiné e Cabo Verde, Amílcar Cabral desempenha trabalho profissional muito válido logo que termina a licenciatura (1952). Nesse âmbito vemo-lo na Estação Agronómica Nacional e na Repartição Provincial dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, onde desempenha funções da maior relevância até 1955, altura em que, por motivos políticos e por ordem do Governador Melo e Alvim, é obrigado a deixar a Guiné, continuando contudo a prestar colaboração profissional a uma série de departamentos oficiais e privados em Lisboa e em Angola.
A envergadura política do nosso biografado de hoje não pode espartilhar-se na dimensão de um simples trabalho de divulgação jornalística como este, pelo que nos daremos por compensados se conseguirmos despertar interesse nos eventuais leitores para prosseguirem com o estudo do tema, na convicção de que estaremos a debruçar-nos sobre a vida e obra do maior dos dirigentes da luta dos povos dos territórios africanos que Portugal dominou.
Embora saibamos que a intervenção de Amílcar Cabral foi determinante na formação de todos os movimentos independentistas das ex-colónias portuguesas, tendo sido co-fundador e presidente da FRAIN (Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colónias Portuguesas), o que há que realçar aqui, ainda que de forma sucinta, é a sua acção à frente do PAI e do PAIGC, mormente entre Janeiro de 1960, em que saiu definitivamente de Lisboa, e 20 de Janeiro de 1973, em que foi assassinado em Conakry.
É o que tentaremos fazer no nosso próximo artigo.
(continua)
* Lic. em Sociologia

























